Na última quinta-feira (23/02) presenciei o que foi o sepultamento da arte no Paraná. Uma ameaça de morte a toda forma de expressão que se faz no corpo. Os bailarinos se despedem de sua casa para um futuro incerto, dançando pela última vez no lugar que lhes serviu de abrigo, que lhes orgulhou diversas vezes e que lhes parecia eterno. O que só nos faz lembrar do quão efêmero é o nosso trabalho, a nossa profissão, tanto quanto a nossa arte. E o quão frágil é viver de arte. A qualquer tempo e a qualquer momento evaporam anos de trabalho e dedicação. A manifestação dos bailarinos do Balé Teatro Guaíra (BTG) o único do Estado do Paraná foi comovente, palavra que nunca senti maior necessidade de usar por seu significado que indica "mover com ou junto". Não apenas dar as mãos, mas ajudar a segurar, erguer. E ainda, enterrados vivos na rua, nas marcas de seus corpos no chão, pelo próprio povo, aqueles que lhes foram platéia, aqueles que são colegas de profissão e que se emocionam ao perceber o quão expostos estamos. "Morremos dançando!" Meu corpo respondendo aos impulsos, escorreu, arrepiou, chorou, tremeu, doeu.
Se há esperança, se há justiça a ser feita, se há previsibilidade, se há retorno... está suspenso.