Origem
⊙ ETIM lat.medv. laboratorium 'local de trabalho', prov. pelo fr. laboratoire 'lugar em que são feitas experiências'
2. atividade que envolve observação, experimentação ou produção num campo de estudo (p.ex., o comportamento animal) ou a prática de determinada arte ou habilidade ou estudo; oficina.
⊙ ETIM lat.medv. laboratorium 'local de trabalho', prov. pelo fr. laboratoire 'lugar em que são feitas experiências'
2. atividade que envolve observação, experimentação ou produção num campo de estudo (p.ex., o comportamento animal) ou a prática de determinada arte ou habilidade ou estudo; oficina.
Passei a me questionar e investigar de maneira 'efetiva' (aos meus olhos), a pouquíssimo tempo; no sentido de que meu envolvimento e consequente percepção do que é investigar o corpo e o movimento são recentes em relação ao modo como investigava a alguns anos atrás. O que me entristece por constatar que, por falta de entendimento e de 'presença' durante essas investigações, estive 'perdendo tempo'. Portanto, hoje cada descoberta advinda dos Laboratórios em dança, me fazem satisfeita e orgulhosa, de pouco em pouco.A partir dessa reflexão venho constatando, então que esse processo se dá também no corpo assim como reflexivamente. Apesar de acreditar na integração corpo e mente e na corporalização das informações, preciso admitir não ter percebido, de primeira mão, o processo se desenvolvendo de maneira simultânea. Até certo ponto, parecia entender em minha mente mas sentia meu corpo resistente. E somente no momento em que observei meu corpo relaxando é que pude também ter essa consciência presentificada que possibilita a criação de lógicas do e para o corpo em movimento.
Portanto, ao mudar em meu corpo e mente a relação com a investigação pude começar a traçar um caminho de pesquisa, através de meus apetites de movimento. O que, ao contrário do que se pode pensar, não facilita em nada o processo porque questiona e problematiza o universo da dança e meus conceitos e entendimentos do que é e do que pode ser corpo, dança e movimento.
Me deparo sempre com algumas questões quando começo a refletir sobre a minha dança, meus desejos/anseios enquanto artista. Por exemplo, qual é o corpo que se constrói a partir da minha investigação? Que dança é essa que eu faço com essa experimentação, essa investigação? Será que posso classificar? Onde posso me apoiar, como referenciais teóricos e práticos, para descrever a minha prática? E onde está a minha motivação, qual é a minha problematização? Como se configuram minhas inquietações nessa dança e como se relacionam com meu corpo? Muitas vezes não soube responder a questões mais fáceis. Mas hoje acredito em diversas possibilidades que não chegavam a me ocorrer a algum tempo atrás, de forma alguma. E hoje sinto-me capaz e mais segura ao dar a minha opinião ao refletir sobre.
Através da leitura de anotações referentes à laboratórios, percebi um padrão de movimento que vem se desenvolvendo e que me agrada enquanto pesquisadora. A combinação entre fatores que resultam em ações básicas que, por sua vez combinadas conduziram a esse padrão, são as seguintes responsáveis: pressionar e retorcer. A primeira relação que vem norteando minha pesquisa vem a ser a característica descrita por Laban da ação de pressionar “estende o espaço em todas as direções” assim como o trabalho com energia expandida e condensada, que também associo a ação retorcer, movimento de transição que exige certa resistência muscular, que foi visitada em sequências pré-estabelecidas e dinâmicas coletivas proporcionando ao laboratório atravessamentos e envolvimento com as questões de João Fiadeiro - propostas em seu texto “...agimos depois compreendemos ou compreendemos depois agimos?” - 'o que quero fazer? o que posso fazer? e o que devo fazer?', além de uma percepção de configuração espacial e ideias de empoderamento da improvisação de contato com uma atenção visual ao aspecto criativo da cena.
Esses elementos compõe a movimentação que surgiu, juntamente com o elemento expressivo, qualidade humana que preenche as suas ações. Devido à minha prática diária de dança moderna venho aprendendo a lidar com a emoção a mais de cinco anos, características do trabalho de cena da Téssera Companhia de Dança da UFPR, o que vem auxiliando a pesquisa em termos de escolha e tomadas de decisão com relação ao caminho a ser tomado. E como exemplo posso citar a escolha de dar enfoque ao tronco por dois motivos; o primeiro diz respeito a própria ‘localização’ da emoção no tronco segundo alguns teóricos da dança moderna; e o segundo tem relação com diferentes vieses da pesquisa que levaram a essa escolha, diferentes dados etnográficos coletados de diferentes vivências documentadas e absorvidas pela memória desse corpo. Assim também aconteceu com a decisão de somar à essa pesquisa a relação dos Padrões Neurológicos Básicos, que enfatizam alguns pontos da pesquisa (como a própria coluna vertebral) auxiliando na compreensão de sua prática. Assim como a relação com a investigação de uma colega, em que pude estabelecer a investigação da inversão da frontalidade do corpo e a maleabilidade de uma coluna descolada do corpo a partir da imagem de um descolamento advindo da proposta de ‘Mapas de Criação’ trabalhados pela artista Rosemeire Rocha, em que a colega coloca como ponto de partida ou questão motivadora esse descolar.
Em documentos ainda um pouco mais antigos, registrados nesse mesmo endereço eletrônico (brunapovoa.blogspot.com) pude lembrar de algo sobre o que me debruçar novamente, que se encaixa e valoriza poeticamente essa pesquisa de movimento; a fluidez dos corpos que transbordam e esguicham seus líquidos reverberando no próprio corpo e que assumem novo significado, reposicionando os olhos para poder enxergar com essa coluna, um olhar em trânsito no espaço e no corpo que vai contra a frontalidade. Associando a mais recente pesquisa sobre o sistema vestibular, suas características, função e funcionalidade, tento imaginar como posso acioná-lo para direcionar a investigação, criando procedimentos que me levem além.
Assim, com ajuda de uma poética que vem se configurando juntamente com o movimento através da estratégia de selecionar da prática uma frase, a cada investigação, e da frase algumas palavras que construíram uma nova frase, aparentemente sem sentido mas que, porém, transformou-se numa inspiração a dar sentido para a própria movimentação. Com a frase “Um balanço ondulante respinga no chão pontos luminosos de um desenho espiralado do corpo líquido, instável e inacabado que se vê” busquei sintetizar em movimento os resquícios das várias práticas no meu corpo que se sobrepunham sem linearidade.
Construiu-se assim um solo que teve sua primeira mostra pública no evento realizado no último sábado, dia 09 de julho, no Teatro Positivo. O Festival Internacional de Hip Hop - FIH2, abriu espaço para que fossem possíveis trocas de experiências entre os dançarinos, e foi nesse contexto e ambiente que pude expor a minha pesquisa pela primeira vez.
Em documentos ainda um pouco mais antigos, registrados nesse mesmo endereço eletrônico (brunapovoa.blogspot.com) pude lembrar de algo sobre o que me debruçar novamente, que se encaixa e valoriza poeticamente essa pesquisa de movimento; a fluidez dos corpos que transbordam e esguicham seus líquidos reverberando no próprio corpo e que assumem novo significado, reposicionando os olhos para poder enxergar com essa coluna, um olhar em trânsito no espaço e no corpo que vai contra a frontalidade. Associando a mais recente pesquisa sobre o sistema vestibular, suas características, função e funcionalidade, tento imaginar como posso acioná-lo para direcionar a investigação, criando procedimentos que me levem além.
Assim, com ajuda de uma poética que vem se configurando juntamente com o movimento através da estratégia de selecionar da prática uma frase, a cada investigação, e da frase algumas palavras que construíram uma nova frase, aparentemente sem sentido mas que, porém, transformou-se numa inspiração a dar sentido para a própria movimentação. Com a frase “Um balanço ondulante respinga no chão pontos luminosos de um desenho espiralado do corpo líquido, instável e inacabado que se vê” busquei sintetizar em movimento os resquícios das várias práticas no meu corpo que se sobrepunham sem linearidade.
Construiu-se assim um solo que teve sua primeira mostra pública no evento realizado no último sábado, dia 09 de julho, no Teatro Positivo. O Festival Internacional de Hip Hop - FIH2, abriu espaço para que fossem possíveis trocas de experiências entre os dançarinos, e foi nesse contexto e ambiente que pude expor a minha pesquisa pela primeira vez.