sábado, 3 de janeiro de 2015

Sensacional - Corpo e corpinho.

Quando as pessoas me perguntavam, durante a gravidez, como seria o meu parto eu sempre respondia "espero que normal". Estranho porque antes de engravidar sempre tive medo e achei que não conseguiria, mas quando me deparei com a realidade de ter um serzinho dentro de mim as coisas mudaram. O mais interessante é que, apesar de acharem que eu teria facilidade em realizar o parto normal por ser bailarina, quase ninguém acreditava realmente que eu fosse conseguir, as pessoas diziam "mas você é tão magrinha!" e o meu medo estalava dentro do peito. Eu mesma não acreditei até ter o Alexandre nos braços.
Cheguei a última fase da minha gestação, meio aos trancos e barrancos, mas muito feliz e cheia de novas experiências. Depois de uma grande confusão entre os médicos (sim, são vários) as coisas começaram a se aquietar e eu passei a prestar mais atenção em mim, no meu corpo e no meu bebê ainda dentro de mim.
Nessa reta final os médicos passaram, também a fazer perguntas como se o bebê ainda mexia bastante, se a barriga ficava dura e se eu estava sentindo alguma dor. E o conselho frequente era para ficar atenta a qualquer mudança. Eles vinham me falando tudo isso a umas duas ou três semanas por causa da confusão com as datas previstas para a chegada do meu pequeno. Portanto a minha ansiedade vinha de longa data. E eu percebi nessas semanas que essas emoções, pequenas sensações, a ansiedade, a preocupação, o nervoso, fizeram alterações nos padrões da movimentação em minha barriga. É, minha avó estava certa, o bebê sente tudo que a gente sente!
Além disso era normal nos últimos tempos perceber quando a barriga ficava dura. Achei extremamente desagradável que muitas vezes isso acontecia e eu podia ver "calombos" em cima, em baixo ou dos lados da barriga, me deixando muitas vezes sem ar e me assustando. Mas depois que acostumei passei a achar graça. E o melhor de tudo era quando eu via uma pequena bolinha passeando perto do umbigo, o que entendo como um pesinho ou cotovelinho, joelhinho... porque é muito pequenininho.
A única parte difícil dessa fase final é que não era fácil andar, me levantar, seja lá onde estivesse sentada ou deitada, além da preocupação na hora de descer escadas, tomar banho, atravessar a rua, coisas nas quais nem pensava direito pra fazer antes. E me olhar no espelho também passou a ser preocupante. Cuidei muito do meu corpo durante toda a gravidez, com alimentação, exercícios, cremes e muito líquido. Mesmo assim surgiram estrias, celulites e aumentei de tamanho em lugares inesperados.
Qualquer um poderia pensar que estou sendo fútil ao me importar com a aparência, tendo algo tão importante e especial como a maternidade na minha vida. Mas eu sou bailarina, e o meu corpo é meu instrumento de trabalho. Por isso é muito difícil e estranho constatar todas essas alterações. 
Agora, uma semana após a chegada do meu pequeno, observo novas alterações. Logo depois do parto, ao contrário do que diziam a maioria das mulheres, tive a sensação de leveza e de que não tinha mais barriga, como se já estivesse magra novamente. É claro que era só impressão, ao olhar para baixo constatei a realidade da natural flacidez, mas a sensação de estar pesando menos era real. Depois a dificuldade para tomar banho e andar, entre outras coisas, continuava e uma certa fraqueza. Mas em poucos dias percebi minha recuperação. Depois de dois dias deitada, praticamente o dia todo, na maternidade, voltava para casa com meu filho nos braços, caminhando rápido, quase nova.
Acostumei-me a rotina da amamentação, dar banho, trocar fraldas e fazer dormir. Observo o corpinho que depende tanto de mim, tão frágil ele é. Irresistível a sensação desse corpinho colado em meu peito, sua respiração, o modo como se mexe e se aconchega. Juntos vamos descobrindo um ao outro. E esse corpinho que em dez dias já me parece diferente, que já se move diferente e que se adaptou ao meu. Todas essas constatações são diárias, novidades a cada oportunidade de observar. Uma vida inteira de transformações no horizonte.