quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pertencer.

A última semana de ensaios. A Téssera Companhia de Dança estará na próxima quarta-feira (dia 26 de novembro) estreando o espetáculo “limoNada nada Concreta” as 21h no Teatro da Reitoria. Quando penso que já estamos com um pé no palco, fico ansiosa e ao mesmo tempo sinto-me realizada. Dessa vez esses sentimentos vem de forma diferente, pois não vou estar no palco dançando, mas eles se fazem presentes de qualquer forma afinal estive presente e observando todo o processo de produção do espetáculo. E poucas vezes tive essa oportunidade, de enxergar um espetáculo dessa forma, de sentir-me parte de algo tão especial e de trabalhar tão próximo de artistas que eu admiro. O que é pertencer (nesse modo de sentir parte de algo)? Sociologicamente falando quando você se encaixa num determinado grupo, tem as mesmas características, anseios, entre outras coisas, você pertence a um grupo. Nesse caso, como bailarina, profissional, e também como ser humano, porque é assim que eu imagino que as coisas devam ser, trabalhar em harmonia, com humor, tranquilidade e qualidade, conviver com essas pessoas me faz bem. 

O trabalho da Téssera tem suas características e diferenciais que hoje, mais do que nunca, me surpreendem. Como é possível que os bailarinos tenham facilidade de encaixar qualquer coreografia em qualquer música escolhida pelos coreógrafos? A facilidade de se adaptar a coreógrafos que, por mais tempo que trabalhem juntos, tem abordagens diferentes? E ainda como podem esses bailarinos parecer se divertir tanto com o seu trabalho? Não há mal tempo, aparentemente. Dão um jeito de fazer o que deve ser feito, trabalham unidos e fazem o que, para mim hoje faz toda a diferença, me passam a sensação de pertencimento. Mesmo fora do palco, da platéia percebo que posso colaborar e que meus colegas até esperam isso de mim. De certa forma acredito que exista, depois de quase cinco anos atuando na companhia, uma confiança. Muitas coisas observadas durante o tempo em que estivemos na sala de aula, mudaram agora que ensaiamos no palco, como espaço e tempo para percorrê-lo, posições, objetos de cena. E da platéia tenho essa percepção, vejo com clareza como as coisas vão se adaptando e principalmente os bailarinos. Fico orgulhosa de pertencer a esse grupo, de fazer parte dessa companhia, de trabalhar com essas pessoas. Portanto tento colaborar da maneira como posso, e principalmente hoje com relação a divulgação do espetáculo. Venha ver então, como essa companhia encanta.

A obra coreográfica de Cristiane Wosniak traz à cena alguns poemas em uma homenagem dançante a Décio Pignatari. O fio da meada da coreografia é Bili com limão verde na mão – obra inovadora e experimental de Pignatari publicada em 2009 – cujo atravessamento de poesia concreta com prosa poética, tem na personagem de uma ‘adolescente/Bili’ um questionamento a que estamos sujeitos todos os dias e em todas as idades: por tudo aquilo que eu sei e que não sei, por que minha vida não está legal?

Coreografia: Cristiane Wosniak
Trilha sonora: Helen Aguiar
Iluminação: Luis Tschannerl
Temporada: de 26 a 30 de novembro de 2014
Local: Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1299)
Horário: 21h00
Classificação Livre

ENTRADA FRANCA