Depois de descobrir que
estava grávida, e compartilhar o momento com a família, o que eu mais queria
era contar para os meus colegas da companhia. E foi este um dos momentos mais
especiais que vivi até agora. As pessoas se emocionam, demonstram uma alegria
grande que me surpreende, e também uma preocupação carinhosa que me conforta. A
generosidade e as demonstrações de cumplicidade tornam tudo mais fácil. Senti,
percebi que minha relação com a gravidez, com a própria barriga, com a confusão
de pensamentos e sentimentos dentro de mim mudaram. Pude me sentir aliviada e
confortável comigo mesma.
Mas a minha preocupação
maior era com não deixar de fazer aulas, com não parar de me exercitar, com
poder estar presente na montagem do novo balé da Téssera. Já havia sentido,
antes de saber da gravidez, uma diferença no modo de me mover. Há uma certa
variação de peso e, portanto de equilíbrio. Muitas vezes senti que, em
determinados exercícios, estava caindo para frente e comecei a rir sozinha. É
interessante perceber como o corpo sozinho se reorganiza para admitir as
transformações que vai sofrendo. Acontece de forma acelerada e bastante
perceptível agora. Além de que existem vários movimentos que me vejo
impossibilitada de realizar, por segurança.
Apesar de tudo isso, pude
observar ainda que o exercício e a dança fazem boa diferença para o bebê tanto
quanto para mim. Pela primeira vez depois do ensaio de segunda-feira (04/08),
depois de uma semana de recesso, senti ele mexer, e na sexta-feira (08/08)
começou ‘literalmente’ a chutar. Mais uma sensação única que eu nunca imaginei
que teria. Olhando para meu abdome eu vi ele se mexer, e não somente senti.
Essas experiências vão me
modificando e transformando minha maneira de ver as coisas. E até mesmo minha
dança, minhas inspirações e minha forma de pensar o movimento estão mudando.
Tudo parece ainda mais mágico e especial, e eu me tornei uma apaixonada e
eterna sonhadora.