Numa grande cidade, movimentada, agitada, acinzentada e que nunca dorme, as pessoas seguem caminhos isolados, se apaixonando repetidas vezes, cometendo os mesmos erros e por vezes deixando de enxergar o significado da vida e de nela estarmos juntos.
Há vazios imensos em lugares lotados e uma grande confusão onde somente uma pessoa pensa. Tornam-se importantes a individualidade e seus objetivos. Perdem significado os sentimentos mais humanos.
E mesmo quando se encontram, eles se afastam, se escondem, fogem e alimentam mentiras. As verdadeiras identidades, por melhores que sejam, permanecem ocultadas. Usam-se máscaras, seus conteúdos são violados e usados contra eles mesmos. Até que se perdem.
Elas imaginam que nada vai deter, interromper, impedir, rachar sua amizade. Mal sabem elas que seu próprio ciúme, inveja, desejo, e egoísmo faram o serviço. Existe amor, existe carinho, existe confiança e existe lealdade. Mas também existe o tal individualismo.
E por pensar diferente ela será punida. Ensinaram aos homens que eles são poderosos e que ela é sua propriedade. Ensinaram a ela quem ela deve ser, o que deve fazer, como deve se comportar. Transformaram o mundo numa grande armadilha onde cada cantinho é perigoso. Tentam força-la dentro de uma jaula, uma prisão. Mas não ensinam aos homens respeito, carinho e amor. São eles que a matem refém, presa.
Mas não tem problema, porque juntos eles não parecem sofrer, eles riem como se nada acontecesse, eles vivem nesse mundo, eles moram nesse lugar, que torna-se cada vez mais chato, cada vez mais entediante, sem interesse. Eles tornam a lembrar que vieram juntos a esse mundo, eles tornam a entender o significado da vida. Eles tornam a entender o significado de sentimentos como o amor, a amizade, o carinho, a simpatia... Mas o certo agora é não identifica-los, o certo agora é ser "moderno", correr, rachar, quebrar, falhar, partir, estourar, fissurar, estalar e CRACK... até entrar em colapso.



