domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ainda somos os mesmos... Memórias Dançantes.


Todas as partes do corpo podem pensar, as pernas, os braços e quadril. Naquele momento eu não queria pensar com a cabeça, queria deixar ela relaxar, queria deixar minha mente livre, porque livre ela cria. Aquele lugar não era exatamente apropriado, mas era um lugar novo, onde nunca me aconteceu a criação, mas onde sempre me senti a vontade, livre e mais aberta a experiencias e informações novas que me trazem a inspiração. Foi a primeira vez que entrei numa balada para criar e adquirir novas experiencias em dança, lugar onde as pessoas vão (na maioria dos casos) para dançar e se divertir. Sinto-me orgulhosa em afirmar que fui bem sucedida.
Era apertado, é claro, quase sufocante. As pessoas pulavam a minha volta e cantavam as músicas gritadas. E então algumas lembranças me tomavam, meus amigos rindo, bons momentos que passamos juntos, as danças mais malucas e as coreografias que adaptávamos aos ritmos da festa, a alegria e o carinho entre nós. E lembrando deixei que meu corpo fizesse como queria. Lento ou agitado as ondulações e as quebras se alternavam fazendo meu corpo mexer sempre de forma diferente independente do ritmo. Não podia parar, a sensação era boa, libertadora e me mantinha de pé. Enquanto meus pés deslizavam no pouco espaço que havia no chão, meus braços erguiam-se acima de minha cabeça e trançavam-se, meu corpo todo pulsava. E o sorriso era inevitável.

"eiii... eu vou amanhã pra Curitiba sim, tá... quero te ver... chego umas 10h da manhã, você vai estar livre amanhã? vamos almoçar juntos? eu vou ficar o dia inteiro aí [...] aaaiiii que saudade de você..." Daniel Malagoli - 08 de fevereiro.


Começa meu feriado. Um querido amigo vem visitar-me. Bailarino, professor de dança contemporânea e coreógrafo, formado comigo pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil na turma de 2009, com muitos assuntos para compartilhar e debater. A cada troca de assunto uma nova lembrança de nossos tempos de alunos. Damos muitas risadas, trocamos experiências, contamos histórias, dividimos alegrias e conquistas. Todas as novas informações, as novidades sobre o mundo da dança e a nossa parte dentro dele são armazenadas com cuidado na mente. Todos os projetos, ideias e criações debatidas demonstram o quanto estamos próximos apesar do tempo distantes. Criam forma cada movimento, tentando surgir em frente aos olhos através das poucas palavras de explicação e imagem mental. E a constatação final: "ainda somos os mesmos".
Sair para dançar. Coisa que fazíamos sempre. Mas dançar para nos divertir, para libertar o corpo e a mente, sem seguir método ou técnica. Com a música pulsando nos ouvidos, entre outras pessoas que faziam o mesmo e sem se importar ou julgar. Nossos corpos, dançantes, se reconheciam, moviam juntos e comunicavam pela primeira vez sem realmente querer expressar algo. Era energia, era alegria, era libertação. Cantamos as músicas aos berros, rimos e dançamos. Me reconheci novamente, me lembrei de quem sou e voltei a gritar "dançando contemporâneo!", "na parede!" e "contact improvisation". E como eu ri! Obrigado, e que venham agora as novas coreografias, inspirações desta noite.



Para: Alexandre Bóia; Aline Rodrigues dos Santos; Ariate Costa; Daniel Malagoli; Diego Araújo; Elora Marconi; Esthe Moraes; Fabiana Granusso; Jordana Coelho; Laíze Nadine; Luiza Gomes; Lucas Roque; Márcio Vinicius Paulino Silveira; Michelly Ribeiro; Nahuel Alejandro Veja; Rafael Lemes dos Santos e todos que passaram pela turma de dança contemporânea de 2009.