quinta-feira, 3 de maio de 2012

Experiência no Palco.

A minha experiência no palco da Bienal Internacional de Dança de Curitiba começou com a montagem de palco que realizamos na segunda-feira, 23 de abril, quando nos reunimos para carregar o cenário para o teatro e montar o palco com linóleo e as estruturas do espetáculo. É muito importante para mim ter esta experiência porque faz parte de uma preparação e adaptação ao ambiente. Depois que fizemos isso tive a sensação de que estava próximo o momento em que precisaríamos daquela força e daquela energia para a cena. Fiquei feliz com o trabalho feito, com a organização e sensação.
No dia seguinte, 24 de abril, o mais importante era estar presente, a concentração e o respeito para com o trabalho, a responsabilidade de colocar no palco uma obra tão importante, dentre tantas outras, de um coreógrafo e uma companhia de trinta anos de carreira, pesaram na mente, mas  eu estava pronta. Desde o momento em que estava na frente do espelho para fazer minha maquiagem e meu cabelo comecei a pensar nos sentimentos que eu deveria passar para o público, a sensação de exílio da qual meu diretor tanto falava em nossos ensaios em sala de aula. Tentava me concentrar e ao mesmo tempo ria com meus colegas, pois apesar do nervoso nós brincamos uns com os outros para entrarmos com uma energia boa no palco e também em harmonia.
Nas coxias eu observava meus colegas se aquecendo, sorriamos as vezes mas todos estávamos com aquele  costumeiro frio na barriga, ainda mais intenso naquela noite tão esperada.

Antes de darmos inicio ao espetáculo ainda demos os últimos ajustes no posicionamento das estruturas que compõe o cenário e nos posicionamos conforme ensaiado. Foi então que mais uma vez percebi, segundos antes das cortinas se abrirem, o movimento do corpo quando a música começa, transferindo meu peso dos dedos para o calcanhar e de volta para os dedos. A música começara a tocar muito sutilmente, baixinho, e mesmo assim meu corpo respondia a ela. A marcha era lenta e me dava tempo para me adaptar ao espaço e ao ambiente que se transformava naquele momento. Eu reproduzia na minha mente as sequencias coreográficas, os tempos, a ordem das cenas, meus próprios pensamentos e a voz do diretor. Quando abri os olhos, estava entrando no palco iluminado para agradecer ao público.

Senti meu corpo relaxar e sorri.