quinta-feira, 5 de setembro de 2013

futuro agora.

 Quando penso no futuro lembro sempre de quando era um bebê. Imagino todas as coisas que minha mãe, minha família, sonhava pra mim. Sei que não era ser bailarina, ela acha, com razão, que é uma vida difícil, puxada e que exige muito e de muitas maneiras da pessoa. Sei que já é hora de escolher um caminho, e a muito tempo eu achava que já havia encontrado. Na verdade, hoje eu percebo que tudo o que eu sei fazer é dançar. Vivo dela e pra ela. Minha vida inteira tive essa certeza de que nunca deixaria de dançar. Mas em alguns momentos me pergunto se não existe mais nada que me faça tão feliz. A resposta é não. A verdade é que encaro todo o resto como um hobby. Por exemplo a escrita, a leitura, a história. Possíveis carreiras relacionadas a essas características. Mas hobbies. Por isso mais uma vez a certeza. Dançar. Dançar e criar, coreografar. Tantas vezes minha cabeça, cheia de ideias, imagens, inspiração, doía sem ter pra onde escapar. E escapa pro papel. Tento me preparar melhor pra esse futuro. E agora aos 20 anos encontrei o meu lugar. É claro que o trabalho nunca acaba. A cada dia uma tentativa de evolução. Produzir e desenvolver novas qualidades além das próprias características, aprender todos os dias e lembrar sempre que ainda há espaço para crescimento. A gente nunca para de aprender, de crescer, de trabalhar. O corpo, que é o nosso principal instrumento de trabalho, está, por sua vez, sempre se transformando e precisa de constantes cuidados e manutenção. Também tem memória e aprende a dançar, antes mesmo que você. Precisa de atenção.
E pra fazer arte não basta "fazer" sem conhecimento e entendimento. Tem que estudar e se atualizar. Mente aberta, informação, opinar, conceituar e as listas de coisas para ver, ler e ouvir cresce a cada dia. Todo mundo acha que é fácil, porque "é só dançar". Mas ninguém sabe ou entende de verdade. Não é só dançar. E com tudo isso cheguei a uma conclusão. Agora o futuro é incerto. Porque o futuro que eu almejava já é agora.