sexta-feira, 19 de outubro de 2012

LAPSES


Logo nos primeiros ensaios eu vi a beleza da criação explodindo nos olhos dele. E a cada ensaio sinto-me ainda mais feliz por ter descoberto essa companhia que me proporciona participar desse trabalho, entre outros que já participei.
O encanto está nos momentos em que entendemos o enredo através da coreografia. Cada detalhe das mãos, da cabeça ou dos pés é significativo e, como bailarina, procuro valorizar esse aprendizado. Criar um balé não é fácil, mas eu o vejo sendo feito minuciosamente e com perfeição pelo coreógrafo a minha frente. Além de tudo, cada palavra dita por ele é uma ferramenta para que eu possa fazer o que está me pedindo, e mesmo que eu não saiba bem o que fazer, quero tentar e experimentar até que ele diga quando parar.
Nos últimos ensaios desta semana eu sentia-me exausta e, por isso, queria continuar aprendendo, que ele continuasse criando, até o último momento. Como se a exaustão me levasse mais longe, me desse mais disposição, como se eu não me cansasse.
Indo mais além, ainda quero ver o que vai acontecer.