quarta-feira, 6 de junho de 2012

A importancia da Observação da Dança.

Percebi a importância da observação há algum tempo quando comecei a participar da Bienal Internacional de Dança de Curitiba. Mas estava muito distante, eram grupos desconhecidos para mim, pois não havia muito contato meu com o trabalho das companhias e dos bailarinos e coreógrafos participantes. Portanto, esta postagem foi ficando cada vez mais esquecida até que hoje relembrei a possibilidade de escrever sobre isso porque presenciei experiências de movimento e pesquisa com meus colegas. Uma realidade muito mais próxima e que me deixa mais confortável para escrever sem que pareça uma crítica de dança.
A ocasião era uma aula onde nós, alunos deveríamos pesquisar o movimento no corpo, livres, relembrando os conteúdos já estudados. Eu, infelizmente, estava machucada e não podia mover o ombro e o braço esquerdo, portanto, permaneci sentada, observando.
Acredito que depois de 3 meses eu já conheça um pouco de meus colegas para afirmar que os que ali estavam já não eram mais os mesmos que eu havia conhecido no início deste ano. Houve uma mudança na forma como se movimentam na busca pelo acesso ao próprio corpo, pela descoberta de novas informações e novos conhecimentos que possam nos auxiliar em nossa arte. Percebi a influência que tem o ambiente, os cheiros, os sons (incluindo a música), as pessoas envolvidas e as pessoas distantes. Fechando o ciclo de pesquisas percebi que meus colegas partiram para uma sensação do corpo em movimento, estavam mais criativos, o que não se desassocia da investigação, objetivo da disciplina. Alguns brincavam de olhos fechados com a relação corpo e mente, e outros estavam atentos aos obstáculos, tão atentos que seus olhos, super abertos, guiavam seus movimentos mesmo que tal ato se desse inconscientemente. Havia uma conexão muito forte entre todos os presentes e a energia era palpável. E isso me levou a perceber as formas que transformavam o espaço, entre os corpos, os desenhos que eu via entre os espaços, as cores das roupas em contraste com as cores da sala, tão neutras.
Era difícil permanecer sentada e o que me mantinha na cadeira era a dor, mas a energia era forte e brilhava em cada um, que me fazia sentir aquela conhecida vontade de dançar que me acompanha desde os 3 ou 4 anos de idade. A importância dessa experiência para mim foi a percepção de como eu posso fazer dança e arte de uma simples investigação de movimento, de um laboratório eu posso criar. E ainda percebi que com uma observação posso aprender muito com meus colegas, sobre meu próprio corpo e sobre as formas de acessa-lo que tanto nos intrigam. A experiência da observação é importante para bailarinos no sentido de correção através da observação, de aprendizagem pela atenção e não só pelo movimento, e aprendizagem de concentração, percepção e memorização.
Uma experiência única que me proporcionou criar através de outros corpos.