terça-feira, 24 de abril de 2012

As 3 Caixas do Corpo.


Bruna Póvoa
Ao caminhar e observar como se move o meu corpo, dependente dos meus pensamentos como que seguindo orientações dadas pela minha mente, tentei imaginar uma forma de driblar essa dependência, será mesmo que a mente precisa do corpo para comunicar? E o corpo precisa da mente para se mover?
Parei com uma colega a minha frente e, ao comando daquela voz suave, nós mapeamos pele e músculo uma da outra esfregando as mãos no corpo. A senssação a seguir era de que meu corpo se inflava como um balão de ar. Aquecida apesar do dia de frio voltei a caminhar e a minha percepção começou a mudar. Meus quadris não estavam mais alinhados, minha coluna não era mais ereta e sim completamente curvada, minha cabeça pesava e as minhas costelas flutuavam levemente pelo espaço.
Encontrei outra colega a minha frente ao parar minha caminhada novamente. A voz que comandava  nos pedia para que explorassemos as 3 caixas do corpo uma da outra através do contato. Foi então que desenvolvi a percepção de como estão interligadas as 3 caixas, cabeça, tórax e quadril. Não é fácil mover o tórax sem mover a cabeça e o quadril porque estão todos ligados pela coluna vertebral. A experiência levava eu e minha colega ao chão onde tinhamos maior estabilidade para conectar nossa caixas, não apenas entre elas, mas uma com a da outra. A movimentação tornava-se mais ampla a medida que descobriamos nossas conexões mais fáceis, os movimentos que mais nos agradavam.  A partir desta exploração pude perceber também como me relaciono bem com outras pessoas que não meus amigos mais íntimos, o que me liberta de uma restrição antiga que eu faço a mim mesma. Neste momento passamos a investigar estas conexões sem o contato,o que é ainda um pouco mais difícil, mas ao mesmo tempo mais fácil devido ao conhecimento já adquirido manter o contato da dupla mesmo distante.
Foi então que aquela voz pediu para que observássemos alguns colegas enquantos estes continuavam a exploração das 3 caixas. Durante a observação eu sentia ainda o corpo de minha colega e a movimentação que criamos juntas. Muitas vezes eu percebia que estava dançando junto com as duplas que estava observando, fosse com a cabeça, com o tórax, com o quadril ou mesmo com a coluna. Uma dupla em especifico, das quais pude observar, chamou minha atenção pela forma que descobriram sua movimentação mais agradável. Eles mantinham o contato com o olhar, ninguém coordenava a movimentação, mas eles se complementavam, ou completavam a forma um do outro simultaneamente.
Esta experiência me ensinou coisas como reconhecer a minha anotomia no corpo do outro além do meu mesmo e de como podemos extrair movimentos ou mesmo coreografias, apenas deste contato ou não contato em investigação. Aprendi também que apenas com a observação pode-se extrair uma análise de corpo e movimento numa atividade de investigação e exploração.