A proposta era entrar em contato com o colega através de movimentos que partiriam da coluna e então partir para a locomoção. Porém, tudo deveria acontecer com os olhos fechados para que pudéssemos aprender a reconhecer os colegas, sentir a presença e as sensações provocadas pelo exercício.
Sentada, fechei meus olhos e tentei encontrar minha coluna, senti-la e perceber o que ela me impulsionava a fazer. Senti minhas escápulas queimarem e os braços esquentarem. Quando não aguentei mais sentir a queimação soltei meu braço. Foi como se eu estivesse segurando um músculo, uma força, e a liberasse instantaneamente. Meu antebraço se moveu até as pontas dos dedos. Encontrei logo as mãos de minhas colegas. Do meu lado direito, a mão de minha colega, era macia, muito leve e úmida. Do meu lado esquerdo, a mão de minha outra colega, era áspera um pouco menos leve, mas macia quase da mesma forma, mas ainda diferente.
Começamos a nos movimentar sem que uma coordenasse a outra, mas em sintonia e calmamente, como se estivéssemos conectadas muito mais do que apenas pelo toque das mãos. E nossa movimentação passou a ser uma, como relatou outro colega, que participava da mesma experiência, "a movimentação não era mais minha ou dele, era nossa".

Eu sentia as mãos de outros colegas muito mais diferentes que as minhas primeiras parceiras. Corpos mais pesados, mais líder, cores diferentes a cada toque, que não eram as cores de minhas amigas, como se cada um tivesse um padrão para que reconheçamos. Posso dizer com firmeza quem eu encontrei no escuro neste momento. E quando nos foi orientado que tentássemos reencontrar nossos primeiros parceiros fui rápida. Talvez pelo cheiro, pela presença ou pela cor, mas principalmente pelas mãos. Neste momento percebi que eu estava quase rígida, tensa e nervosa, como se tivesse sentindo medo de me relacionar com os outros, porque relaxei e me tranquilizei quando encontrei o toque de minhas amigas.
A sensação de bem estar havia voltado.
Sensações: Tranquilidade
Nervosismo
Relaxamento