Ao dar inicio as pesquisas para a
atividade proposta pela professora, muitas ideias passavam por minha cabeça e a
dificuldade em escolher uma dessas ideias foi bastante grande. O que me ajudou
a definir um ponto de partida foi exatamente o meu trabalho, a dança que
desenvolvo como bailarina, a Dança Moderna. A dança moderna para mim tornou-se
uma paixão e não só mais uma forma de dança que eu aprendi, é para a dança
moderna que desenvolvo os meus estudos que eu trabalho e que eu cuido do meu
corpo e da minha mente. É por essa paixão que eu vivo, lendo e adquirindo todo
tipo de conhecimento sobre o que eu faço. Nesse momento, em que defini o ponto de partida como sendo a dança moderna, é que me lembrei de que em muitos livros que li a dança e a arquitetura se encontram em um momento histórico, o período entre guerras, na Alemanha, onde é criada a Bauhaus e o Movimento Moderno. Nessa mesma época Gropius e Laban travam a mesma batalha para manter cada qual a sua arte em criação, Gropius com a arquitetura e Laban com seu estudo do movimento, que mais tarde se tornaria, com Mary Wigman, Dança Expressionista Germânica ou Dança Moderna Germânica.
Estabeleci, então, essa relação
entre dança e arquitetura e tracei a linha do tempo da Dança Moderna até chegar
a Curitiba e a partir dela tracei uma linha do tempo da Arquitetura do
Movimento Moderno até chegar a Curitiba. Mas como eu pouco sabia sobre
arquitetura para traçar essa linha, tive de partir para uma pesquisa mais
profunda sobre Arquitetura do Movimento Moderno. Encontrei então o livro que
deu base para todo o trabalho, chamado “Arquitetura do Movimento Moderno em
Curitiba” de Salvador Gnoato e um blog chamado “Circulando por Curitiba” que
também teve sua colaboração para com a pesquisa. Através deles pude fazer mais
algumas conexões, pois no livro encontrei algumas das principais obras do
Movimento Moderno em Curitiba e descobri que estão muito próximas de mim e do
meu cotidiano e seus arquitetos fazem parte dessa linha do tempo que eu tentava
traçar.
Traçadas as linhas do tempo e
descobertas as obras que mais me identificava do movimento moderno parti para
as fotografias. Foram escolhidos seis edifícios para as seis fotografias
solicitadas. A primeira foi o Teatro Guaíra que tem participação especial na
minha história por ter sido o primeiro teatro onde me apresentei como bailarina
aos cinco anos de idade. A obra tem como característica do Movimento Moderno o
chamado percurso arquitetônico que vai da entrada ao nível da rua até o acesso
ao auditório pelo segundo andar.
A segunda fotografia conta com a
imagem do belíssimo Auditório da Reitoria da UFPR (Universidade Federal do
Paraná), transparente da Rua XV de Novembro pela ampla esquadria de vidro e que
conta também com um percurso arquitetônico inusitado que vai do saguão também
ao nível da rua até o acesso ao teatro feito pela parte inferior da plateia,
tem como característica a relação feita entre exterior e interior através do
uso do vidro. O Teatro da Reitoria, como nós bailarinos o conhecemos, é
especial na minha história por ter sido palco da minha primeira experiência com
dança moderna, onde me apaixonei por ela e me receber duas vezes por ano nos
últimos três anos.
A terceira fotografia, e ultima
obra referente ao arquiteto Rubens Meister, é da Rodoferroviária de Curitiba.
De estrutura simples e retangular que é característica do Movimento Moderno a
rodoferroviária foi palco das minhas muitas despedidas da família durante oito
anos que me possibilitaram a formação como bailarina profissional que me
trouxeram até aqui. Tem como característica também a relação do interior com o
exterior pelos vãos solicitados no projeto que abrem espaço para a transição
dos passageiros.
A quarta fotografia conta com uma
das principais obras de Romeu Paulo da Costa, a Biblioteca Pública do Paraná,
minha companheira nas pesquisas e estudos e boas lembranças da minha própria
história. Também foi um dos primeiros lugares onde dancei aos cinco anos de
idade. Há na arquitetura projetada por Romeu Paulo da Costa um contraponto
entre o Racionalismo Clássico, da monumentalidade do corpo principal da
edificação, e o Movimento Moderno, das lajes dos anexos laterais.
A quinta e a sexta fotografias
tem como obras dois conjuntos habitacionais projetados por Jaime Wassermann e
construídos pela sua Construtora Independência. Foram construídos em vazios
gerados pela desativação das fábricas, em lados opostos da Avenida Souza Naves,
pertencentes a antiga Zona Industrial do Plano Agache que deu origem a cidade
de Curitiba como a conhecemos hoje. O conjunto Independência (fotografia cinco)
sintetiza conceitos dos CIAMs (Congressos Internacionais de Arquitetura
Moderna) e utilizou lajes pré-moldadas de concreto armado (material
característico da época), tijolo a vista envernizado, elementos vazados e
esquadrias de ferro. Visava durabilidade e racionalidade de execução da obra. O
conjunto Cosmos conta com quatro torres de fachada com peitoris revestidos com
telhas de aço coloridas. Nesse projeto Jaime Wassermann introduziu as escadas
de incêndio pré-fabricadas em concreto armado, com desenho em baixo relevo.
Esses dois conjuntos podem ser vistos da minha janela e participam da paisagem
do meu cotidiano, mas o mais interessante foi a minha descoberta, através de
minha mãe, de que o conjunto habitacional Capanema, onde nasci, foi projetado e
construído também pela Construtora Independência que tem como fundador e dono
Jaime Wassermann.
Por fim esclareço que todas as
fotografias têm como local escolhido uma obra de arquitetura do Movimento
Moderno, mas que também faz parte do meu cotidiano ou de minha história. A
oportunidade de descobertas, pesquisa e adquirir conhecimentos tornou a
atividade ainda mais interessante e importante para a minha carreira. Agradeço
a professora Rosemeire Odahara pela oportunidade, a minha família por dividir
comigo as tantas histórias e os conhecimentos sobre uma Curitiba que eu não
conhecia.




