quarta-feira, 14 de março de 2012

As sensações.

A proposta era desconhecida. Os olhos estavam fechados. O comando era simples. A voz era sussurrada. Obedeci e me surpreendi.
O cheiro era doce e tal aroma, ao invadir minhas narinas, remeteu-me a um campo de flores que exalavam cada uma um perfume diferente, mas todas doces, tornando o ar mais doce.
A sensação permaneceu porque o líquido que deceu de um copo para a minha boca também era doce. Mas agora esta vinha acompanhada de um frio que refrigerava minha boca. No entanto, eu podia sentir pequenos estalos na língua como se o que ali estava estivesse borbulhando, e podia, também, ouvir estes estalos, bem baixinho.
Imediatamente engoli o líquido que deceu queimando minha garganta. Um segundo depois de passado o líquido pelo peito e ido parar no estômago, todo o meu peito, até a altura dos ombros, o pescoço e a boca arderam e o meu maxilar se contraía com se tivesse chupado limão. E então voltaram a se refrigerar.
Eu havia tomado Coca-Cola Zero que nunca me pareceu tão agoniante e gaseificada antes, quando tomei-a de olhos abertos.

                                                                                 Bruna Póvoa